"Redemptoris Missio" de João Paulo II completa 31 anos de publicação

Encíclica tem como tema a validade permanente do Mandato Missionário

Da redação

jpii joao paulo ii Primate Cardinal Stefan Wyszynski InstituteCNA "Redemptoris Missio" de João Paulo II completa 31 anos de publicação

Papa João Paulo II/ Foto: Primate Cardinal Stefan Wyszynski Institute/CNA

A Carta Encíclica “Redemptoris Missio” do Papa João Paulo II completa, nesta terça-feira, 7, 31 anos de publicação. O texto, um dos muitos divulgados durante seu pontificado, é sobre a validade permanente do Mandato Missionário

O documento é dividido em oito capítulos que levam os respectivos nomes: “Jesus Cristo único salvador”, “O Reino de Deus”, “O Espírito Santo protagonista da missão”, “Os imensos horizontes da Missão Ad Gentes”, “Os caminhos da missão”, “Os responsáveis e os agentes da Pastoral Missionária”, “A cooperação na atividade missionária” e “A espiritualidade missionária”.

Papa João Paulo II afirma, em sua encíclica, que é tarefa fundamental da Igreja orientar a consciência e experiência da humanidade para o ministério de Cristo.

O Pontífice reforça então que o impulso missionário faz parte da natureza da vida cristã e inspira também o ecumenismo: ‘que todos sejam um (…) para que o mundo creia que Tu Me enviaste’ (Jo 17,21)”.

Somente em Cristo há salvação

A “Redemptoris Missio” é considerada peça importante do Magistério da Igreja, pois reforça a convicção católica de que somente em Cristo há salvação.

Os não-cristãos, segundo o texto de João Paulo II, podem até salvar-se, mas porque Cristo morreu por todos, por toda a humanidade. O princípio é de que todo aquele que segue retamente sua consciência, de certo modo está dizendo “sim” a Cristo, Verbo do Pai.

Segundo a encíclica, nenhum fundador de religião pode ser colocado no mesmo nível de Cristo. Se algo de bom tais mestres ensinaram, foi sob a ação do Espírito de Cristo, que enche a face da terra. No entanto, são fragmentos de verdade, ordenados à plenitude que somente em Cristo se realiza.

Igreja a serviço do Reino

A Igreja está efetiva e concretamente ao serviço do Reino, reforça o Pontífice em seu documento. Em primeiro lugar, ela serve-o com o anúncio que chame à conversão: este é o primeiro e fundamental serviço à vinda do Reino para cada pessoa e para a sociedade humana.

A Igreja é sacramento de salvação para toda a humanidade; a sua ação não se limita àqueles que aceitam a sua mensagem. Ela é força atuante no caminho da humanidade rumo ao Reino escatológico, é sinal e promotora dos valores evangélicos entre os homens.

Leia mais
.:Qual é a missão evangelizadora que a Igreja tem para si?

Em 2018, em resumo do documento, o missionário da Comunidade Canção Nova, padre Leandro Couto destacou que a missão da Igreja é tal como a de Jesus, é obra de Deus, do Espírito Santo.

“Depois da ressurreição e Ascenção de Jesus, os Apóstolos viveram uma intensa experiência que os transformou: o Pentecostes. A vinda do Espírito Santo fez deles testemunhas e profetas (cf. At 1, 8; 2, 17-18), infundindo uma serena audácia, que os leva a transmitir aos outros a sua experiência de Jesus e a esperança que os anima.”

O Espírito Santo e a missão

O Espírito oferece ao homem “luz e forças que lhe permitem corresponder à sua altíssima vocação”; graças a Ele, “o homem chega, por meio da fé, a contemplar e saborear o mistério dos planos divinos”; mais ainda, “devemos acreditar que o Espírito Santo oferece a todos, de um modo que só Deus conhece, a possibilidade de serem associados ao mistério pascal”.

A missão ad gentes tem à sua frente uma tarefa imensa, que está muito longe de se ver concluída. A tarefa de anunciar Jesus Cristo a todos os povos apresenta-se enorme e desproporcionada relativamente às forças humanas da Igreja. A missão ad gentes, devido ao mandato universal de Cristo, não tem fronteiras, frisou padre Leandro.

Leia também
.:Deixar-se conduzir pelo Espírito Santo 

Promover a liberdade do homem

Todas as formas de atividade missionária se caracterizam pela consciência de promover a liberdade do homem, anunciando-lhe Jesus Cristo. A Igreja deve ser fiel a Cristo, já que é o Seu Corpo e continua a Sua missão. A atividade missionária ainda hoje representa o máximo desafio para a Igreja.

Na atividade missionária, há o convite à conversão, além do encontro muitas vezes com o ecumenismo, a inculturação e o diálogo inter-religioso.

Missionários

João Paulo II destaca o valor dos missionários e também dos catequistas. Segundo o Papa, a participação na missão universal da Igreja não se reduz a algumas atividades isoladas, mas é o sinal da maturidade da fé e de uma vida cristã que dá fruto.

A responsabilidade das Obras Missionárias Pontifícias é denotada, assim como a espiritualidade missionária. Padre Leandro recorda que o missionário é o homem das Bem-aventuranças.

“Na verdade, no ‘discurso apostólico’ (cf. Mt 10), Jesus dá instruções ao Doze, antes de os enviar a evangelizar, indicando-lhes os caminhos da missão: pobreza, humildade, desejo de justiça e paz, aceitação do sofrimento e perseguição, caridade que são precisamente as Bem-aventuranças, concretizadas na vida apostólica” (Mt 5,1-12).

O post “Redemptoris Missio” de João Paulo II completa 31 anos de publicação apareceu primeiro em Notícias.

Fonte: Canção Nova
Data: Tue, 07 Dec 2021 12:10:33 +0000