Como Beata Elena Guerra chegou no Brasil?

Esta é uma das perguntas que mais me fazem. Resumidamente vou tentar partilhar com os que já amam a Beata.

1998: O Livro da Patty Mansfield

Quando estudei Filosofia no Rio de Janeiro, li o livro da Patty, “Como um novo Pentecostes”. Quando a testemunha do final de semana de Duquesne falava dos precedentes do retiro, o nome da freira italiana Elena Guerra que tinha se correspondido com o Papa Leão XIII, permaneceu dentro de mim como um refrão.

2004- O Ano do Encontro com a Beata

Depois de quase 10 anos, com apenas três meses de sacerdote em Dezembro de 2004, através de um pequeno livro da biografia da Beata, fui acolhido pelas irmãs Oblatas na Casa onde Elena viveu, escreveu, profetizou e morreu. Começava uma aventura!

No início pensei que havia ido apenas para estudar, porque estava escrevendo a minha tese de mestrado sobre o Espírito Santo. Logo na primeira noite descobri que de algum modo aquela casa era também minha e que eu também era um de seus filhos…

Como todo carismático pedi um sinal. Vieram múltiplos e o último foi justamente uma relíquia da parte da superiora da casa, acompanhado de algumas palavras proféticas…

Comecei a traduzir orações e o pequeno livro que ali havia me levado. Comecei a divulgar entre seminaristas e padres brasileiros que estavam estudando em Roma. Dentre eles, o único que se envolveu com maior afinco foi o Pe. Carlos de Franca, São Paulo.

Encontrando com Pe. Jonas Abib, este ficou encantado com os pensamentos da Beata. E me pediu que ao retornar ao Brasil procurasse a Canção Nova para editar os livros. Neste mesmo período, Dom Alberto Taveira também tomava conhecimento dos escritos da apóstola do Espírito Santo.

2005- O ano do começo da divulgação da Beata no Brasil

Ao retornar ao Brasil em Julho de 2005, falei da Beata para um grupo de moças do interior do Estado do Rio de Janeiro onde fui mandado para o trabalho pastoral. Nem imagina que surgiria um Instituto religioso que continuaria a missão profética de Elena…

2006- A Beata e a Liderança carismática brasileira

A primeira oportunidade que tive para falar para a RCC Nacional aconteceria em Novembro de 2006 no II Congresso Teológico da RCC que aconteceu em São Paulo. Falando sobre o tema “Batismo no Espírito Santo e Santidade”, terminei citando a visão carismática de Elena. Foi uma empolgação. Recebi ali mesmo o convite para editar os primeiros livros, que com algumas limitações de ambas as partes, sairiam pela editora Com Deus.

2007: Ano da edição dos primeiros livros em português

No Congresso da RCC em Julho de 2007 na Canção Nova os primeiros livros foram lançados pela primeira vez em língua portuguesa. Além da tradução do livro que havia me levado até Lucca (A mulher de Pentecostes e do Cenáculo), foi traduzido um volume que trazia os principais pensamentos da espiritualidade da Beata (Renascer no Espírito) e um outro livro de minha autoria chamado “O retorno da Igreja ao Cenáculo”.

2008: A vinda da Irmã Marina e do Abade Ugo

Em Janeiro, a pedido de D. Alano, nosso Arcebispo de Niterói-RJ, a Irmã Marina (Filha da Congregação da Beata) e o Padre Abade Ugo Tagni (que seria o futuro postulador da causa) vem ao Brasil. Deste encontro, as Oblatas do Cenáculo nasceriam e a Irmã Marina viu em várias missões que fizemos em paróquias e dioceses diferentes o amor do povo brasileiro a Apóstola do Espírito Santo.

2009- 50 anos da Beatificação

Foi um ano de muita graça, tanto no Brasil como na Itália.

Em Lucca, no dia 18 de Abril, foram editadas as Obras Completas da Beata, comemorando o Jubileu de Ouro da sua Beatificação.

Aqui no Brasil, no dia 26 de Abril, Dom Alberto Taveira, celebrava na TV Século XXI por esta mesma ocorrência.

Grandes eventos também aconteciam em diversos Estados. No Espírito Santo, tive a graça de pregar juntamente com a Patty levando as relíquias. No Rio de Janeiro, a RCC celebrava os 35 do movimento. Naquela ocasião o PE. Eduardo Dougherty me convidava para gravar a Novena de Pentecostes escrita pela Beata na TV. O que aconteceu.

A RCC Nacional lançava também o Projeto “Celebrando Pentecostes” que percorre várias cidades espalhando a cultura de Pentecostes, falando também sobre a vida da Beata. Uma outra iniciativa histórica, foi a RCC ter aceitado publicar o livro que eu organizei, trazendo as Cartas da Beata ao Papa e outros dois documentos que não havíamos em Português. Demos ao livro o título sugestivo de “Escritos de fogo”.

Como não nos foi aberta nenhuma oportunidade por parte de editoras, a Novena de Pentecostes da Beata foi editada pela ECU (Editora Cenáculo Universal), pensada pela Fraternidade Sacerdotal do Cenáculo (FSC) para continuar os sonhos da Beata através do apostolado pela imprensa; o que a Beata chamava “milícia do Espírito Santo”.

Em Setembro desta ano, eu tive a oportunidade de retornar a Lucca e levei muitos testemunhos de curas e prodígios atribuídos a intercessão de Elena Guerra. O que havia também feito no ano anterior…

Nesta mesma ocasião recebi das Irmãs Oblatas a maior relíquia que temos no Brasil da Beata. Trata-se de um pedaço da rótula do joelho dela.

2010- A retomada pela Canonização e os Amigos da Beata

O Espírito Santo convenceu pouco a pouco o próprio Abade Ugo, após tantas iniciativas da Congregação, de que ele havia sido escolhido para tal missão.

Em Março, a Congregação para a causa dos Santos, o nomeia para Postulador. Retomasse, assim, após longos anos o processo para que Elena Guerra seja reconhecida como Santa da Igreja.

Escutei da Irmã Marina, a quem devemos muito, o discernimento mais maduro a este respeito: Se a Beata é canonizada, o Espírito Santo será conhecido pelo mundo a fora.

No dia 23 Maio, no Seminário São José em Niterói, 3 irmãs recebem o hábito religioso. Nasce oficialmente o Instituto das Oblatas do Cenáculo, com o carisma profético de continuar a missão de Elena Guerra.

No dia seguinte, dia 24 Maio, eu, Reinaldo e Ironi, chegamos em Roma, acompanhados por um grupo de 30 brasileiros. A peregrinação acaba em Lucca, cidade natal da Beata, com um retiro espiritual. Entrávamos para a história como o primeiro grupo de brasileiros que visitavam os lugares vividos por Elena Guerra. Nascia os Amigos da Beata Elena Guerra…

Em contato com o Padre Abade, pedi a ele que entregasse ao Papa Bento as Cartas da Beata ao Papa Leão XIII. A oportunidade encontrada pelo Abade foi a visita do Papa Bento a cidade natal de Leão XIII, Carpineto Romano, que se deu nos primeiros dias de Setembro.

Ainda em Roma, recebo um e-mail de um possível e incontestável milagre atribuído também a Beata em Uberlândia, MG.

Voltando ao Brasil, uma outra oportunidade pela TV nos foi dada pela Canção Nova. Na Quinta-feira de Adoração, no dia 2 de Setembro. Falamos também sobre a Beata para tantas pessoas que nos assistiam. Resultado foi que os nossos sites foram enormemente procurados.

2011: Um ano de Surpresas do Espírito Santo!

O Abade Ugo, já postulador, visita o Brasil, e estando em Rio Bonito, fica impressionado com a dimensão do culto à Beata.

Em menos de dois meses, com a euforia de Ironi Spuldaro, a prontidão de Anselmo, e a colaboração financeira de pessoas que nem conhecemos, com a benção do nosso Arcebispo, e o apoio da comunidade católica de Rio Bonito-RJ, no início de Fevereiro, gravamos um DVD em honra ao Espírito Santo. O objetivo é difundir a oração do Rosário que a Beata compôs em Sua honra.

Um mês depois, recebo uma carta com a minha nomeação de Vice-Postulador da causa para a Canonização da Beata Elena Guerra. Como se fará isso? Eis a minha pergunta…

Dois últimos sinais:

Um fato surpreendente aconteceu: Uma senhora protestante, membro da Assembleia de Deus, antes de morrer, escreveu doze bilhetes, cada um com um destinatário. E sem me conhecer, deixou um bilhete para “Eduardo Braga” escrito: Sua mãe será canonizada!

Tire você a conclusão!

O último sinal de graça foi um e-mail da Patty que recebi no início deste mês de Maio. Nele, ela nos pede a oportunidade para traduzir para o Inglês todas as cartas da Beata. Em breve, teremos os “Escritos de Fogo” em Inglês.

Terminemos orando para que o Senhor levante a vida santa de Elena Guerra, como a mulher do avivamento dos nossos tempos. Que sua doutrina sobre o Espírito seja uma bandeira erguida com poder para que em nossos tempos conheçamos as graças de um Novo Pentecostes.

Digamos como Elena: Veni Sancte Spiritus!

Por Padre Dudu
Rio Bonito, Maio de 2011

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